sábado, 20 de fevereiro de 2010

O EFEITO DA SALVAÇÃO

A Perseverança e a Preservação dos Santos

A Constância e a Conservação dos Santos

A Fidelidade e a Confirmação dos Santos

Salmos 37:24-28, “Aparta-te do mal e faze o bem; e terás morada para sempre.”

Hb. 10:14, “Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados.”

Introdução

Temos estudado na última parte sobre a Salvação Realizada, o fato do Cristão verdadeiro passando por um processo diante dos homens que manifesta Cristo mais e mais na sua vida, a santificação. Queremos agora tratar da garantia divina que esse processo de santificação continuará até a sua glorificação no céu. A certeza que os Cristãos verdadeiros continuarão se santificando na terra, chama-se na teologia, a perseverança dos Santos. A certeza que os Cristãos verdadeiros terminarão glorificados no céu, chama-se na teologia a preservação dos Santos. A perseverança dos santos é de inteira responsabilidade do próprio Cristão. A preservação dos Santos é atuada somente pelo poder de Deus.

Essas doutrinas são duas e são gêmeas, sempre andando de mãos dadas. Isso quer dizer que não pode existir a perseverança do Cristão sem a preservação de Deus. Também não pode existir a preservação de Deus sem a perseverança do Cristão. Essas doutrinas também podem ser descritas como sendo os dois lados de uma mesma moeda. Um lado mostra a responsabilidade do povo de Deus para com o SENHOR da sua salvação. O outro lado mostra o poder de Deus para cumprir as Suas promessas para com seu Povo.

A bíblia não deixa dúvidas que Deus conserva fielmente o seu povo pois Ele não pode perder nenhum dos Seus verdadeiros filhos (Rm. 8:29,30; Jo. 13:1). Porém, a salvação que Deus opera no elegido, tem a natureza de provocar o próprio Cristão a perseverar na graça de Deus (II Co. 12:9,10; Ef. 2:8,9).

Por serem doutrinas gêmeas, existem perigos destrutivos se tentamos crer em apenas uma parte dessas duas doutrinas. Se existir a crença da responsabilidade do Cristão em se perseverar sem o poder de Deus se preservando, criará um Cristão, que pelos seus próprios esforços, fica intensamente preocupado de manter-se salvo pelos seus próprios esforços. Se ele conseguir, amem. Se ele não conseguir, ai! Se existir a crença no poder de Deus preservando os Seus sem a responsabilidade da perseverança dos santos, fará um Cristão que de nenhuma maneira preocupa-se com seu testemunho ou das suas responsabilidades de andar digno da chamada da salvação. Este desequilíbrio doutrinário incentivaria pensamentos e práticas loucas como: “Nada importa o que eu faço no mundo, sou salvo do mesmo jeito.” Para evitar desequilíbrio doutrinário, essas duas verdades devem ser tratadas em conjunto. Por isso trataremos essas duas em um mesmo capítulo.

Definição

A perseverança é a manutenção de uma profissão verdadeira que é vista num andar obediente contínuo à Palavra de Deus e às doutrinas de Cristo (Jo. 8:31), a manutenção de princípios santos (Mt. 5:1-12), a manutenção de boas obras (Ef. 2:10; Jd. 1:20,21), uma manutenção capacitada por Deus (Fp. 1:6 – Pink, Eternal Security, p.28-35).

Pela história, os batistas têm se manifestado sobre essas doutrinas.

Uma confissão dos Anabatistas de 1644 diz:

“Tocante ao Seu reino, Cristo, sendo ressurrecto dos mortos, subiu ao céu, sentou-se a destra do Deus-Pai, tendo dado a Ele todo o poder no céu e na terra, onde Ele espiritualmente governa a sua Igreja, exercitando o Seu poder sobre todos os anjos e os homens, tanto os bons quanto os maus, da preservação e salvação dos eleitos, até a conquista e destruição dos Seus inimigos, que são os reprovados, comunicando e aplicando os benefícios, a virtude, e o fruto da Sua Profecia e Sacerdócio ao Seu Eleito, ou mais perfeitamente dizendo, até a destruição dos seus pecados, até a sua justificação e adoção de filhos, regeneração, santificação, preservação e fortalecimento em todos os seus conflitos contra Satanás, o mundo, a carne, e as suas tentações destes, continuamente estando neles, governando e guardando os seus corações na fé e temor amoroso de filhos por Seu Espírito, do qual sendo dado, Ele nunca retira deles, mas por Ele gera e nutre neles a fé, o arrependimento, o amor, o gozo, a esperança, e toda a luz celeste até a imortalidade, não obstante que pela nossa própria incredulidade, e as tentações de Satanás, a sensibilidade desta luz e amor pode ser ofuscada por um tempo.. ” (The CONFESSION OF FAITH Of those CHURCHES which are commonly(though falsely) called ANABAPTISTS; London, 1644 - The Old Faith Baptist Church, Rt. 1, Box 517, Magazine, Arkansas, 72943, p. 19, tradução livre pelo Pastor Calvin). (I Co. 15:4; I Pe. 3:21, 22; Mt. 28:18, 19, 20; Lc. 24:51; At. 1:11 & 5:30, 31; Jo. 19:36; Rm. 14:17. Marcos 1:27; Hb. 1:14; Jo. 16:7, 15. Jo. 5:26, 27; Rm. 5:6, 7, 8 & 14:17. Gl. 5:22, 23. Jo. 1:4, 13. Jo. 13:1 & 10:28,29, & 14:16,17; Rm. 11:29; Sl. 51:10,11; Jó 33:29,30; II Co. 12:7,9. Jó 1 e 2; Rm. 1:21 & 2:4,5,6, & 9:17,18. Ef. 4:17,18. II Pe. 3.)

Uma confissão de fé Batista de 1689 diz assim:

“Os que Deus aceitou no Amado, aqueles que foram chamados eficazmente e santificados por seu Espírito, e receberam a fé preciosa (que é dos seus eleitos), esses não podem decair totalmente nem definitivamente do estado de graça. Antes, hão de perseverar até o fim e ser eternamente salvos, tendo em vista que os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis, e Ele continuamente gera e nutre neles a fé, o arrependimento, o amor, alegria, a esperança e todas as graças que conduzem a imortalidade (Jo. 10:28,29; Fp. 1:6; II Tm. 2:19; I Jo. 2:19). Ainda que muitos tormentos e dilúvios se levantem e se dêem contra eles, jamais poderão desarraigá-los da pedra fundamental em que estão firmados, pela fé.

“Não obstante, a visão perceptível da luz e do amor de Deus pode, para eles, cobrir-se de nuvens e ficar obscurecida (Sl. 89:31,32; I Co. 11:32), por algum tempo, por causa de incredulidade e das tentações de Satanás. Mesmo assim, Deus continua sendo o mesmo (Mal 3:6), e eles serão guardados pelo poder de Deus, com toda certeza, até a salvação final, quando entrarão no gozo da possessão que lhes foi comprada; pois eles estão gravados nas palmas das mãos do seu Senhor, e os seus nomes estão escritos no livro da vida, desde toda a eternidade.” (Fé para Hoje, p. 36,37).

Uma confissão de fé Batista de 1853 relata as doutrinas dessa maneira:

A PERSEVERANÇA DOS SANTOS. Cremos que as Escrituras ensinam que aqueles que são verdadeiramente regenerados, tendo nascido do Espírito, não cairão nem perecerão finalmente, mas perseverarão até o fim; que seu apego perseverante a Cristo é o grande sinal que os distingue dos pro¬fessos superficiais; que uma Providencia especial vela por seu bem-estar; o que são guardados pelo poder do Deus, mediante a fé, para a salvação. (Ponto número onze da Confissão de Fé de Nova Hampshire, 1853)

A Preservação Prometida

“As promessas de Deus são imutáveis e indisputáveis em todo instante. Porque então devemos duvidar da sua promessa deste assunto da salvação? Quando Deus prometeu passagem segura a Noé e a sua família, ninguém foi perdido. Quando Ele prometeu a vitória ao Gideão e os seus 300, aconteceu como foi prometida. Quando Deus prometeu ajuntar Israel disperso, aconteceu. Quando Deus prometeu que o Seu Filho seria nascido de uma virgem .. Ele foi. Quando Deus prometeu um substituto para os pecadores para arrependidos, o Seu filho tornou-se o Substituto, e deu a Sua vida pelos pecados do Seu povo. Examine a bíblia toda, e verá que nenhuma promessa de Deus falhou.

“Sendo isso verdadeiro, porque Deus falhará em cumprir as Suas promessas acerca da preservação dos Seus santos? Não é Deus o Deus do universo, O Onipotente, O Criador de todas as coisas e O que sustenta tudo pelo poder da Sua palavra? Não tem Este o poder de guardar os que confiam em Cristo?” (Oldham, p. 120,121 - tradução livre).

Esses versículos enfatizam a promessa da preservação de Deus para com os Seus:

Sl. 37:24-28, “ o SENHOR os sustém com a Sua mão .. Eles são preservados para sempre”

Isaías 43:1-7, “não temas, pois, porque estou contigo”.

Isaías 51:6, “a minha salvação durará para sempre”

Mt. 24:24, “se possível fora”

João 3:16,36, “tem a vida eterna”

João 4:14, “nunca terá sede”

João 5:24, “não entrará em condenação”

João 6:37, “ de maneira nenhuma o lançarei fora”

João 10:27-29, “dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão”

Romanos 8:29,30, “os que dantes conheceu, .. a estes também glorificou”

Romanos 8:35-39, “estou certo de que nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus”

Romanos 11:29, “os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento”

I Co. 1:8,9, “vos confirmará até ao fim”; “fiel é Deus .. chamado para a comunhão do Seu filho Jesus Cristo nosso Senhor”

II Ts. 3:3, “mas fiel é o Senhor, que vos confirmará, e guardará do maligno”

I Ts. 5:24, “fiel é o que o chama, o qual também o fará”

I Pe. 1:3-5, “gerou de novo para ... uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós”

I João 5:2, 4,5, “todo o que é nascido de Deus vence o mundo”

Judas 1:24, “poderoso para os guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis”

A Preservação Efetuada

A vitória da preservação não está no homem mas está em Cristo (I Co. 15:57, “graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” II Co. 2:14, “graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo”; II Co. 12:9, “minha graça te basta”)

Deus opera a sua graça perseverante nos seus filhos com meios divinos. Estes meios são o Espírito Santo, a Palavra de Deus, a oração intercessora de Cristo, a correção, o poder de Deus, o amor de Deus, a graça de Deus, a sabedoria de Deus, a imutabilidade de Deus e as promessas de Deus. Essa graça divina da perseverança que é dada ao Cristão não é baseada em algum esforço da carne mas unicamente na obra expiatória de Cristo, na promessa da Nova Aliança e segundo o propósito eterno de Deus.

Os Meios Que Deus Usa Para Estimular a Perseverança dos Santos e Efetuar a Sua Preservação

O Espírito Santo

Ef. 1:13, 14, “fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa redenção, para redenção da possessão adquirida, ..” Deus julga o valor do penhor dado para cumprir a Sua promessa. Pelo Espírito Santo ser o próprio Deus, é indiscutivelmente garantida a possessão adquirida: a salvação completa das almas que Cristo comprou pelo Seu sangue.

Gl. 4:6, “Deus enviou aos vossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: Aba Pai.” O Espírito Santo em nós faz que queiramos aproximar-nos do Pai e O agradar mais e mais. Pela presença do Espírito Santo em nós, tanta a nossa preservação quanto a nossa perseverança estão asseguradas (Rm. 8:15,16).

Gl. 5:22 - O Espírito Santo opera em nós o fruto que agrada ao Pai. O Espírito Santo ajuda as nossas fraquezas e intercede pelo santos (Rm. 8:26,27). Deus examina os corações dos Cristãos e vê a obra do Espírito Santo neles. Deus sabe da intenção do Espírito Santo e por isso tudo coopera para o eterno bem daqueles que estão em Cristo Jesus, até a glorificação deles (Rm. 8:28-30).

Fp. 1:6, “aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo.” Deus, na Sua mente, começou a boa obra. Porém, a intenção de Deus veio a nós pela obra do Espírito Santo manifestando Cristo pelo ministério da Palavra de Deus em nós (Jo. 16:8-14). Por Ele operar em nós, chegamos a querer o que Deus deseja, a fé em Cristo. Pela obra do Espírito Santo, atualmente temos tudo o que é necessário para ser completo todo o desejo de Deus (Fp. 2:13). Não existem dúvida nem falha na obra do Espírito Santo. Por isso, a Sua obra findará com o Cristão aperfeiçoado.

O Espírito Santo é um dos meios que Deus usa para estimular a perseverança dos Cristãos para garantir e efetuar a Sua preservação.

A Palavra de Deus

“A continuidade do Cristão no caminho da piedade é um milagre, e sendo assim, necessita da imediata operação divina.” (A W Pink, Eternal Security, p. 51). A Palavra de Deus é um meio nessa operação divina. As Escrituras nos mostra a responsabilidade da nossa perseverança pelos avisos solenes e os seus mandamentos sérios para que a preservação de Deus seja revelada. A Palavra de Deus nos anima perseverar pelas promessas gloriosas e pelos exemplos dos santos contidos nela para que a Sua preservação dos Santos seja uma realidade.

A Palavra de Deus efetua a Sua vontade em estimular o homem à sua responsabilidade. Atos 27:22-44 é um exemplo como Deus estimula o homem à sua responsabilidade pela Sua divina comunicação. Os homens quiseram, pela sua lógica e emoção, fazer uma atividade. Essa atividade seria prejudicial a eles e não de acordo com a vontade de Deus. Pela Palavra de Deus, os homens foram estimulados às ações que realizaram a vontade de Deus. A promessa da preservação é acoplada a perseverança do Cristão. Pela obediência do Cristão da própria Palavra de Deus, a preservação de Deus é evidenciada pois “todos chegaram à terra a salvo.” Deus usou o aviso solene, o mandamento sério e a promessa gloriosa da Palavra de Deus para que os homens perseverassem em fazer o que era necessário para a sua preservação.

Os Avisos Solenes da Palavra de Deus operam para a nossa perseverança para que a preservação de Deus seja manifesta

Existem avisos solenes na Palavra de Deus que parecem dar margem para a doutrina falsa que diz que o Cristão pode perder a sua salvação. Não são nada mais do que avisos solenes para nos admoestar a perseverar para que a preservação de Deus seja manifesta. Os avisos solenes enfatizam unicamente a respeito da responsabilidade do homem. Agrada a Deus promover a nossa obediência voluntária para que a Sua preservação seja evidente.

Mt. 7:21, “Nem tudo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”

Lc. 14:26-33, v. 27, “E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após Mim, não pode ser meu discípulo.”

João 14:23, “Jesus respondeu, e disse: se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.”

Romanos 8:13, “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.”

I Co. 5:5, “Seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus.”

Gl. 5:24, “E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.”

Tito 2:11,12, “Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa e piamente,”

Tiago 2:20, “Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?”

I João 2:4,5,15, “Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os Seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a Sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nEle.” “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.”

I João 3:3, “E qualquer que nele têm esta esperança purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro.”

I João 4:15, “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus.”

A Palavra de Deus, pelos seus avisos solenes, é um meio divino que Deus usa para animar a preservação dos Santos para garantir e efetuar a Sua preservação neles.

Os Mandamentos Sérios das Escrituras operam para a nossa perseverança e preservação

Pelo mandamento sérios das Escrituras, os Cristãos são estimulados às ações que operam a vontade de Deus. Pela obediência do Cristão à Palavra de Deus, a preservação de Deus é evidenciada. Deus usa os mandamentos sérios das Escrituras para que os homens façam o que é necessário para a sua preservação. Os mandamentos das Escrituras enfatizam unicamente a responsabilidade do homem. Agrada a Deus promover a nossa obediência voluntária para que a Sua preservação seja evidente.

Mt. 16:24 “Então disse Jesus aos Seus discípulos: se alguém quiser vir após Mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre a sua cruz, e siga-me;”

Romanos 6:12, “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências;”

Gl. 5:16,25, “Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne.”, “Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.”

Fp. 2:12, “assim também operai a vossa salvação com temor e tremor;”

Tiago 2:18, “mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.”

II Pe. 1:5-10, “E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência e, acrescentar à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência temperança, e à temperança paciência, e à paciência piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade.”

Judas 1:21, “Conservai-vos a vós mesmo no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.”

A Palavra de Deus, pelos seus mandamentos sérios, é um meio divino que Deus eficazmente usa para animar os seus à perseverança e garantir a Sua preservação até o fim.

As Promessas Gloriosas da Palavra de Deus operam para a nossa perseverança e preservação

Pelas promessas gloriosas da palavra de Deus, o Cristão é estimulado a procurar a graça para perseverar até o fim. Tudo isso opera para a glória de Deus. A promessa da preservação é acoplada a perseverança do Cristão. Pelas promessas gloriosas o Cristão é animado para com a sua responsabilidade e a preservação de Deus é evidenciada. Deus usa as promessas gloriosas das Escrituras para que os homens perseverarem no necessário para a sua preservação. Agrada a Deus promover a nossa obediência voluntária para que a Sua preservação seja evidente.

Nestes versículos parece que a preservação é condicional à nossa perseverança. Mas a verdade é: o Cristão é estimulado a buscar a graça de Deus que é suficiente para levar os Seus até o fim.

Mt. 10:22; 24:13, “..mas aquele que preservar até ao fim será salvo.”

Romanos 2:6-10, “O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção;” v. 10, “Glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também não grego;”

Gl. 6:9, “porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido.”

Hebreus 3:14, “Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim.”

Tiago 1:12, “Bem-aventurado o homem que sofre a tentação; porque ele, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.”

Apocalipse 2:7, “Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus.

Apocalipse 2:17, “Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido ..”

Apocalipse 2:26-28, “e ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações,”

Apocalipse 3:21, “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; ..”

Muitas das promessas dão o entender que o fim é condicional ao desempenho do homem. Num sentido espiritual, o fim é condicional aos esforços do homem: do homem novo. O homem velho segue a lei do pecado e não pode agradar a Deus (Rm. 7:18-25). Porém, o homem interior, tem prazer na lei de Deus, e, por ter esse prazer, ele busca a agradar Deus mais e mais até o fim. Entendemos com isso que as promessas alimentem a responsabilidade do homem interior a batalhar com a graça de Deus para ter a vitória final que Deus promete.

A Palavra de Deus, pelas suas promessas gloriosas, é um meio divino que Deus usa para estimular a perseverança do Cristão para garantir e efetuar a Sua preservação neles.

Os Exemplos dos Santos relatados nas Escrituras, operam para a nossa preservação

Mesmo que não estejamos no tempo do Velho Testamento, ou com a Lei de Moisés sobre nós, os exemplos daqueles que serviram aquele Deus que nunca muda, procurando a Sua graça para ficar firmes na obediência, podem muito em nos estimular à nossa perseverança. Com a nossa perseverança estimulada, a graça da preservação será manifesta.

Quando o nosso caminho for espinhoso e é evidente a fraqueza da nossa carne, podemos lembrar que os antigos alcançaram testemunho pela fé (Hb. 11). Em diversas situações de perseguições familiares, satânicas, e políticas a graça de Deus foi suficiente para eles. As suas perseguições vieram de gigantes e de reis pagãos mas não foram maiores do que o único e verdadeiro Deus. As suas aflições vieram do ódio, do engano, do fogo e dos animais selvagens provocados pelos seus inimigos. A graça de Deus foi suficiente para que todos estes alcançaram testemunho. Eles foram estimulados a vencer reinos, praticar justiça e alcançar promessas. Pelo poder de Deus, tiraram forças da fraqueza e puseram em fuga os exércitos dos estranhos. As mulheres foram guiadas com sabedoria e os perseguidos não dobraram na hora de grande aflição. O poder e a graça de Deus que deu a vitória em vida a estes santos é a mesma para hoje pois Deus não muda (Mal 3:6; Tg. 1:17). Sabendo que Deus não muda e entendendo que temos uma tão grande nuvem de testemunhas vitoriosas, somos exortados a deixarmos todo o embaraço e o pecado que tão perto de nós rodeia para perseverarmos na carreira que nos está proposta (Hb. 12:1-3).

Estes exemplos do Velho Testamento foram escritos para que conheçamos a consolação das Escrituras e que tenhamos esperança (Rm. 15:4). Nas horas da nossa aflição, quando lembramo-nos do que é relatado sobre a graça de Deus que capacitou estes a alcançarem o testemunho, somos estimulados a buscar a mesma graça para podermos alcançar o mesmo testemunho virtuoso.

Quando o Cristão é tentado a si entregar e culpar Deus de injustiça pelas situações amargosas, somos ajudados a perseverar na fé por lembrar da graça de Deus na vida de Jó. Pelo seu exemplo aprendemos que Deus é justo e merecedor de confiança total apesar das aparências (Jó 2:10, “receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal?”). Aprendemos pela sua vida também que Deus abençoa ricamente os que perseveram na fé. Contemplando esse exemplo da soberania e misericórdia de Deus, somos consolados a termos paciência com esperança.

Quando vier a traição dos amigos e a morte, é proveitoso lembrar do exemplo de Cristo (Jo. 16:33; Hb. 12:1-3; I Pe. 2:21-25). Cristo venceu a morte, o mal e as contradições de pecadores com o poder de Deus nele. Portanto, quando consideramos o exemplo dEle, teremos bom ânimo para perseverarmos pelo mesmo poder. As obras de Cristo foram escritas para o nosso proveito para que creiamos que Ele é o Cristo, o Filho de Deus, e crendo, termos o que é necessário perseverar até aquela vida eterna dada em seu nome (Jo. 20:31).

Quando existe forte oposição social a nossa mensagem, o exemplo de Estêvão é animador. Aquela mesma graça de Deus que fez Estevão ser ousado a pregar a verdade em face de grande oposição, e morrer com uma vitória (At. 7:1-60) é a mesma que pode nos aperfeiçoar a sermos fiéis na vontade de Deus.

Quando temos limitações físicas, podemos lembrar das limitações que atrapalharam a vida de Paulo, impedindo-o em várias maneiras. Neste exemplo entendemos a ocasião da graça suficiente de Deus. Somos também animados de alegremente nos perseverar até o fim regozijando-nos da providência perfeita de Deus (II Co. 12:7-9).

Se tivermos anos de aflição, é edificante lembrar-nos do exemplo do apóstolo João. Mesmo que ele foi perseguido e exilado por anos na ilha de Patmos, ele não foi desamparado por Deus. Mesmo no exilo ele foi visitado por Deus (Ap. 1:9,10). Pela força desta revelação divina temos uma profecia muito abençoada (Ap. 1:3). A presença do Senhor com este discípulo obediente é a mesma presença abençoadora que está com os obedientes hoje (Hb. 13:5). Sendo confiantes de tal presença somos estimulados a não temermos as aflições e continuarmos a avançar na fé.

Pelo exemplo da vitória de Cristo e pelo exemplo dos santos na Bíblia, somos provocados a perseverarmos na fé. Nessa perseverança, a preservação de Deus é manifestada. Em tudo isso, aprendemos como a Palavra de Deus é usada para o nosso bem espiritual e para a glória de Deus.

Se olharmos somente para os desafios que vem a nós, sem lembrarmos do poder de Deus, nem dos Seus mandamentos, seremos tomados pelo medo e pelo tremor ao ponto de desistir de avançar na vida Cristã (Nm. 13:28-33). Na hora do aperto é melhor lembrar da vitória prometida, o Deus que nos deu responsabilidades sérias e dos exemplos da Sua graça que foi suficiente para todos os seus servos verdadeiros. Assim perseveraremos até o fim e a preservação de Deus para com os Seus será manifestada para a Sua glória.

A Palavra de Deus, pelos exemplos dos santos, é um meio que Deus usa para garantir e efetuar a preservação dos Seus.

A Oração Intercessora De Cristo

A confiança na oração é tida quando oramos segundo a vontade de Deus (I Jo. 5:14,15). Jesus tinha esta confiança na oração. Ele sábia que o Pai sempre O ouvia (Jo. 11:42, “Eu bem sei que sempre me ouves ..”). Portanto, quando Jesus ora pelos quais o Pai lhe deu que “sejam um” (Jo. 17:11), que “tenham a alegria de Cristo completa neles” (Jo. 17:13), que sejam santificados pela verdade (Jo. 17:17), que estejam com Ele aonde quer que estiver para que vejam a glória dEle (Jo. 17:24), Ele pediu com confiança. Ele sabia que o Pai O ouvia. As petições de Cristo diante do Seu Pai só podem ser respondidas com todos os Seus com Ele e vendo a Sua glória para todo o sempre. Portanto a oração intercessora de Cristo é um poderoso meio que Deus usa para preservar os Seus até o fim.

“A oração feita por um justo pode muito em seu efeito” (Tg. 5:16). Quem está orando para os próprios Cristãos verdadeiros é Cristo. Este é “Aquele que morreu, ou antes, Quem ressuscitou dentre os mortos, O qual está à direita de Deus, e também intercede” pelos Seus (Rm. 8:34). Portanto a oração deste Justo pode muito em seu efeito.

Aquele que faz a vontade do Pai é aceito por Deus (Mt. 7:21; Sl. 34:15,17). Sendo Cristo obediente em tudo (Jo. 17:4; Fp. 2:8), a Sua pessoa, junto com a Sua oração pelos seus, são verdadeiramente aceitas por Deus.

Quando Jesus rogou por Pedro para que Satanás não destruísse a sua utilidade no reino de Deus, Jesus estava confiante que o Pai o atenderia. Por isso ele aconselhou Pedro: “quando te converterdes, confirma teus irmãos” (Lc. 22:31,32). Cristo orava com confiança. Os dons e a vocação de Deus na vida de Pedro eram sem arrependimento (Rm. 11:28, 29) pois Cristo rogou por ele. Por Cristo rogar por nós, os dons e a vocação de Deus na nossa vida serão sem nenhum arrependimento da parte de Deus também. Os verdadeiros Cristãos serão fiéis também, mesmo que caem às vezes, pois Cristo fez toda a obra por eles, e, Ele intercede por Seus diante do Pai perfeitamente (Rm. 8:34; Hb. 7:25; 9:24-26). Nessas verdades e exemplos entendemos que a oração intercessora de Cristo é um meio qual Deus usa para garantir e efetuar a preservação dos Seus.

A Correção do Senhor

A perseverança é um assunto que segue a realização da salvação, ou seja, a perseverança é um assunto somente para os que já são feitos filhos de Deus. Sendo filhos, existe o aperfeiçoamento na santificação até a glorificação. Uma atividade neste caminho é a correção do Pai para com Seus filhos. “que filho há quem o pai não corrija?” (Hb. 12:7)

O propósito da correção que vem ao Cristão enquanto ele trilha este caminho terrestre é para seu aperfeiçoamento (Fp. 1:6); a sua santificação (Hb. 12:10, “para sermos participantes da Sua santidade”); a produção nele do fruto pacífico de justiça (Hb. 12:11), e para o seu bem, ou seja, para ele não ser condenado com o mundo (I Co. 11:32). Pela correção ser como a correção de pai ao filho, ou seja, para corrigir e não para condenar ou destruir, ela é um meio eficaz que Deus usa para levar os Seus a perseverar até o fim.

Essa correção saudável vem pela Palavra de Deus (Ef. 5:26; II Tm. 3:16,17), a obra da igreja e a obra dos seus oficiais (Ef. 4:12; Hb. 10:24,25), e pelas circunstâncias da vida, tanto física quanto espiritual (II Co. 12:7; Rm. 8:28). Essa correção é tida como sendo “a correção do Senhor” (Hb. 12:5,6; Pv. 3:11,12). Portanto essa correção é sábia, justa e eficaz (Rm. 11:35,36). Por Cristo corrigir os santos corretamente, a preservação deles até o fim é assegurada (Ap. 3:19). Pela correção de Deus trazer o Cristão a maior fidelidade, o livro de Jó declara: “Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus repreende.” (Jó 5:17).

Portanto não despreze a correção do Senhor, mas, contrariamente, torne a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados e ande corretamente na santificação. É dessa maneira que a preservação eficaz do Senhor será manifestada (Hb. 12:12-14).

O Poder De Deus

O poder de Deus não é dependente na fidelidade do homem, mas, contrariamente, a fidelidade do homem é dependente do poder de Deus (Fp. 4:13, “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.”; Gl. 2:20, “.. e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus ..”). Por ser um Cristão não quer dizer que não é mais um vaso de barro (II Co. 4:7; Rm. 7:18, “eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum”) e um incapacitado na sua própria força (Rm. 7:24, “Miserável homem que eu sou!”. É Deus que capacita os Seus com o Seu poder (II Co. 3:5; I Co. 1:26-31). Portanto, este poder de Deus é o mesmo que Deus implementa para preservar os Seus até o fim.

O que Deus quer, Ele faz (Sl. 115:3; 135:6), e ninguém pode impedir a Sua mão de fazer o Seu eterno desejo (Dn. 4:35). A vontade expressa de Deus por Cristo é que os que foram dados a Ele estejam onde Ele está eternamente (Jo. 17:24). Deus quer que os que crêem em Cristo tenham uma vida eterna (Jo. 3:16). Por Deus poder fazer tudo que quer, os em Cristo nunca hão de perecer, e ninguém os arrebatará da mão de Cristo ou do Pai, que é maior de que todos (Jo. 10:28,29). É o poder de Deus que cumpre o Seu desejo para com os Seus assim garantindo a preservação deles até o fim.

O mesmo Deus que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo (II Co. 4:6). O mesmo Deus que sustenta todas as coisas criadas na terra e no céu pela palavra do Seu poder (Hb. 1:3) é quem aperfeiçoa aquela boa obra espiritual começada por Ele no Cristão. Essa obra será aperfeiçoada até ao dia de Jesus Cristo (Fp. 1:6). Nisso entendemos o poder de Deus sempre preserva o Seu filho.

Mesmo a carne cobiçando contra o Espírito, e estes opondo-se um ao outro (Gl. 5:17), e, mesmo o Satanás e as hostes de maldade nos lugares celestiais lutando contra o Cristão (Ef. 6:12; I Pe. 5:8), o Cristão possui O maior poder (I Jo. 4:4). Esse poder de Deus faz com que ele pode resistir os ataques de Satanás ao ponto que o velho inimigo foge (Tg. 4:7). Pelo poder de Deus, o Cristão não será separado do amor de Cristo, mas será mais do que um vencedor. Ele é mais do que um vencedor pois ele não somente triunfa sobre Satanás no último dia (Ap. 17:14), mas ele também cresce espiritualmente pela tribulação, a angústia, a perseguição e, a fome, a nudez, o perigo e pela espada que vem na sua vida (Rm. 8:35-39; Tg. 1:2-4). Pelo poder de Deus o Cristão persevera na obediência e é preservado.

O relatório bíblico dos santos revela como o poder de Deus é eficaz tanto estimulando a perseverança na obediência quanto a sua preservação até o fim. Mesmo sendo sozinhos e fracos, Noé e os seus entraram na arca e foram preservados (Gn. 7:13; 8:18). Podemos também mencionar a vitória no meio da oposição nas vidas de Jó (Jó 1:9-11), Josué (Zc 3:1), Davi (I Cr. 21:1), Daniel (Dn. 6:4), Pedro (Lc. 22:31) e Paulo (I Ts. 2:15). Nenhum destes se acharam fortes na carne e foram todos fortemente perseguidos, mas foram todos levados à fidelidade pelo poder de Deus. Nisso entendemos que o poder de Deus é um meio usado por Ele para garantir e efetuar a preservação dos Seus.

Portanto, não confie em qualquer força da carne nem das suas filosofias, mas descansa no poder de Deus de completar o que Ele mesmo começou (Fp. 1:6) enquanto procura ser obediente em toda a boa obra (Ef. 2:10). Deus nos preserva para perseverarmos na obediência.

O Amor De Deus

Uma das causas da nossa salvação é o amor de Deus (II Co. 8:9; I Jo. 4:19). Este é um amor especial que faz parte da presciência de Deus (Jr. 31:3; I Pe. 1:2). O amor particular de Deus, de primeira mão, traz os pecadores à salvação (Dt. 7:7-9; Rm. 9:9-16; I Jo. 4:19). O salvo, porém, nunca é perfeito enquanto trilha na carne nessa terra. O pecado que habita na sua carne (Rm. 7:18,23) cobiça contra o novo homem, aquele homem espiritual que tem prazer na lei de Deus, que nasceu dEle na hora da regeneração (Gl. 5:17). Pelo Cristão ter o pecado na carne, ele não é perfeito, não faz tudo o que deseja para agradar a Deus (Rm. 7:19-21). Mas, mesmo que os erros e fraquezas trazem a correção, que por sua vez conformam o Cristão mais e mais na imagem de Cristo (Hb. 12:5-12), a benignidade de Deus não é retirado totalmente do filho (Sl. 89:30-33). Este amor especial de Deus que começou a salvação, é instrumental na preservação dos salvos até o fim, pois não há possibilidade de existir nada mais poderoso do que este amor (Rm. 8:35-39). Somos vencedores por Aquele que nos amou!

Devemos lembrar que o amor de Deus é eterno (Jr. 31:3), como Deus o é. Sendo eterno, não tem começo, nem tem fim! Nessa verdade podemos entender que o amor de Deus é um meio que Ele usa para garantir e efetuar a preservação dos Seus. O amor de Deus pode ser manifestado em um menor grau por um determinado período que ele é revelado em outras ocasiões, mas isso não quer dizer que a natureza do próprio amor ou a sua perpetuidade são diminuídas. Este amor continua eterno apesar das fraquezas dos salvos. As próprias fraquezas do Cristão, o faz sentir envergonhado e miserável (Rm. 7:24), mesmo assim provocam o Cristão a amar e a servir mais a Deus, o Salvador, até o fim (Lc. 7:40-43; Rm. 5:3-5; I Pe. 1:6-9). Pela certeza do amor de Deus continuar até o fim, Paulo poderia despedir a igreja em Corinto com uma benção, uma igreja por sinal que tinha a sua própria porção de erros graves. Essa benção incluía o amor de Deus estando com todos eles (II Co. 13:14). Nisso entendemos que o amor de Deus é um meio pelo qual o Cristão é provocado a perseverar até o fim e pelo qual ele é preservado na fé.

O amor de Deus pelos Seus é igual aquele amor que Deus tem para com Cristo (Jo. 17:23). Tão inseparável, eterno, imutável o amor de Deus Pai para com Deus Filho, é o amor de Deus para com os que são feitos filhos de Deus por Jesus Cristo! A preservação é entendida pelo fato que este amor garante que nenhum destes será perdido (Jo. 10:27,28; 13:1). A perseverança é entendida pelo fato que este amor incentiva os filhos a amarem o Salvador até à hora em que eles serão glorificados (Gl. 4:4-6; Rm. 8:15-17).

Tão importante a presença do Espírito Santo, a utilidade da palavra de Deus, a oração intercessora de Cristo, a correção e o poder de Deus na perseverança e a preservação dos Santos é o amor de Deus para o com os Seus.

Que tal amor imenso traz os pecadores a se renderem ao Salvador hoje mesmo é a nossa oração. Que tal amor de Deus também incentiva os Seus à conformidade mais e mais na imagem de Cristo. Somos devedores do amor de Deus que excede todo o entendimento.

A Graça de Deus

A graça de Deus é uma ação gloriosa ou maneira gloriosa em geral. Mais precisamente é a influência divina sobre o coração e a sua manifestação em vida. Essa influência pode ser literal, figurativa ou espiritual (Strong’s, # 5485).

A mesma ação gloriosa e influência divina que superabunda onde o pecado abunda para fazer o pecador arrependido idôneo para participar da herança do santos na luz (Rm. 5:20; Cl. 1:12) é a mesma maneira gloriosa de Deus sobre o Cristão que o estimula a andar digno da vocação a qual foi chamado (Ef. 4:1). A graça trouxe a implantação da semente incorruptível na alma do Cristão ao ponto que esta nova natureza não pode pecar (I Jo. 3:9; 5:18) e tem prazer na lei de Deus (Rm. 7:22). Mesmo enfrentando limitações físicas e oposições espirituais, essa influência divina basta (II Co. 12:9). Essa graça basta no sentido que ela é mais forte que qualquer oposição contra o Cristão ou qualquer operação contra a vontade de Deus. A graça de Deus é suficiente, ela nos contenta plenamente (Jo. 14:8, Strong’s, # 714). É por ela que o Cristão persevera até o fim.

Quando considera a natureza do pecado com a sua enganosa inimizade contra Deus (Rm. 8:6-8), a sua concupiscência mundana (I Jo. 2:16), a sua incapacidade e ignorância espiritual (I Co. 2:14) e a sua longevidade (Rm. 7:21, “quando quero fazer o bem, o mal está comigo”), pelo Cristão resistir este pecado continuamente e sendo perseverante na obediência é testemunho como essa graça de Deus é suficientemente eficaz na preservação dos Seus santos no caminho da retidão (I Co. 15:10; Is. 26:12). Verdadeiramente a ação preciosa vinda de Deus sobre o coração é eficazmente suficiente (Sl. 119:117, “Sustenta-me, e serei salvo”).

Aquele que confia no seu próprio coração é insensato (Pv. 28:26) pois este está confiando meramente num braço de carne (II Cr. 32:8). Porém, aquele que espera no Senhor, conhecerá a contínua influência divina sobre a sua visa e renovará as suas forças ao ponto de não desfalecer mas ser fiel até o fim (Is. 40:28-31).

Existem muitas provações na vida do Cristão (Js. 2:20-23; Rm. 5:3-5; Tg. 1:2-4) que vem para nossa correção (Hb. 12:5-11), o nosso bem (Rm. 8:28) e para a glória de Deus (Rm. 11:36; Jo. 9:1-3). Todavia pela graça que basta (II Co. 4:15-18), o Cristão é mais do que vencedor (Rm. 8:37). No meio de todas as aflições, Deus não desvia a Sua misericórdia e com a Sua influência opera para que não sejam abalados os pés do Seu povo, ou seja, a graça fortalece o Cristão na tribulação (Sl. 66:8-12,20). Pela Sua obra, o coração do Cristão é consolado e confirmado ao ponto de ser ativo em toda a boa palavra e obra perseverante (II Ts. 2:16,17). Pela obra de Deus, pela graça que basta, o Cristão é aperfeiçoado em toda a boa obra continuando naquilo que é agradável a Deus até o fim (Hb. 13:20,21). A graça é nos dada como ferramenta na nossa vida Cristã, mas, precisamos da Sua graça para usá-la (Pink, Gleanings from Paul, p. 409).

A graça de Deus é suficiente na sua natureza, mas o Cristão precisa crescer nesta graça na sua vida diária (II Pe. 1:5-7, “acrescentai à vossa fé a virtude .. ciência .. temperança .. paciência .. piedade .. amor fraternal”; 3:18, “Antes crescei na graça”; Cl. 1:10, “frutificando em toda a boa obra e crescendo no conhecimento de Deus” ). O Cristão cresce na graça por exercitar-se na obediência da Palavra de Deus. Uma destas atividades espirituais é a oração. Cristo achou necessário orar pela preservação do Seu povo (Jo. 17:11,15-17). Paulo achou conveniente orar pelos Cristãos Tessalonicenses para que crescessem na graça em toda a boa obra de fé com poder (II Ts. 1:11,12). Podemos também achar proveitoso em orar por nós mesmos e pelos outros Cristãos para que frutifiquemos em toda a boa obra,. Este fruto vem quando abundamos com toda suficiência (graça) em toda a boa obra de fé (II Co. 9:8). Nessa perseverança crescente a graça de Deus para nos preservar é manifesta (I Co. 15:10, “todavia não eu, mas a graça de Deus que está comigo”).

Pela graça de Deus ser um instrumento que vivifica e salva o Cristão (Ef. 2:8,9), aperfeiçoando-o pelas tribulações, para operar naquilo que é agradável a Deus por Jesus Cristo, entendemos que a preservação dos santos é uma conseqüência lógica das perfeições divinas (Pink, Eternal Security, p. 51).

Reconhecendo que têm sido derramadas sobre nós tais bênçãos eficazes (Lm. 3:22, “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos”), somos estimulados a procurarmos essa graça suficiente para sermos fortes na perseverança da nossa responsabilidade segundo a eficácia que opera em nós poderosamente (Cl. 1:27-29).

A Sabedoria de Deus

Isaías 40:28, “Não sabes, não ouvistes que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento.” O Dicionário Aurélio Eletrônico define a palavra inescrutável como sendo insondável ou impenetrável. A palavra hebraica traduzida para inescrutável significa algo que não sustenta investigação (#2714, Strong’s). A sabedoria de Deus é imensa, além do poder de ser enquadrado em qualquer relatório de fatos. Não podem ser conhecidas as suas medidas. A Palavra de Deus, com outras referências, menciona essa mesma verdade usando expressões como “Ó profundidade das riquezas tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis são os seus caminhos! Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi Seu conselheiro?”, (Rm. 11:33,34; Jó 9:10); “Como as alturas dos céus é a sua sabedoria .. é mais profunda do que o inferno .. mais comprida é a sua medida do que a terra, e mais larga do que o Mc.”, (Jó 11:7-9); “o Seu entendimento é infinito” (Sl. 147:5); “a loucura de Deus é mais sábia do que os homens” (I Co. 1:25); “Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida”, (Ef. 3:10) e “ao único Deus sábio” (I Tm. 1:17). Sem dúvida nenhuma podemos ficar contentes por que a sabedoria de Deus é um meio eficaz para nos perseverar até o fim das nossas responsabilidades e pela qual somos preservados eternamente.

Podemos entender como essa sabedoria infinita é um meio para garantir a preservação dos santos e a perseverança deles quando entendemos que o homem sábio não apenas tem um excelente objetivo desejado mas juntamente com o desejo prepara tudo o que é necessário para obter tal alvo. Deus não será como o homem que começou a edificar algo, mas, por falta de conselhos e capacidades, deixa de cumprir o seu desejo. Contrariamente, Deus é como o sábio rei que assenta primeiro e toma conselho para saber do que ele precisa para vencer aquele que vem contra ele (Lc. 14:28-32). E Deus sabe dos ardis daquele que vem contra Ele. Sem dúvida Deus sabia da cruz que Cristo tinha de levar para ser o substituto da condenação dos pecados de todos os Seus. A sabedoria de Deus considerou a fragilidade da carne, do ódio que as trevas têm contra a luz, dos ataques e dos dardos inflamados de Satanás e que os justos seriam poucos entre muitos injustos. Sabendo de tudo, Deus providenciou tudo o que é necessário para atingir o Seu alvo grandiosamente para ter todos os Seus com a vitória com Ele eternamente. A sabedoria de Deus garante isso.

Na menção da realização de uma obra divina na Bíblia, freqüentemente tal obra é associada com aquela sabedoria e poder necessários para sustentar essa obra (Hb. 1:2,3, “fez .. sustentando”; Nm. 23:19). No assunto da salvação, a sabedoria de Deus é vista não somente no fato que nos dá vida, mas que nos guarda para que nunca pereçamos (Jo. 10:28, “dou-lhes a vida eterna, e ninguém arrebatará da minha mão”; I Pe. 1:3,5, “nos gerou de novo para uma viva esperança .. guardados na virtude de Deus para a salvação”; Judas 1:1, “santificados em Deus Pai, e conservados por Jesus Cristo”). Então entendemos aquela ciência de Deus que é mais alto do que os céus, faz que a obra iniciada por Deus na nossa salvação é seguramente aperfeiçoada ao dia de Jesus Cristo (Fp. 1:6).

A sabedoria de Deus na salvação é manifestada em que Ele escolheu a loucura da pregação para salvar os crentes (I Co. 1:17-21). O entendimento infinito de Deus é visto em que Ele usa as coisas loucas, fracas, vis, desprezíveis, e as que não são para operar Sua grande obra em nós e no mundo para Sua glória (I Co. 1:26-31). A Sua força é manifestada em nossa fraqueza fazendo os loucos, fracos, vis, desprezíveis, e os que não são, mais do que vencedores (I Co. 12:9; Rm. 8:35-37). Pelos juízos de Deus serem impenetráveis, a Sua obra foi, é e será completa. As portas do inferno não prevaleceram, não prevalecem e não prevalecerão contra os Seus objetivos (Mt. 16:18). A sabedoria de Deus garante isso.

Pela Sua sabedoria Deus deu aos Seus tanto o desejo quanto a capacidade de fazer toda da sua santa vontade (Fp. 2:13). Pelo Seu inescrutável entendimento, temos O Salvador exaltado que intercede por nós por quem olhamos tanto como o autor da nossa fé quanto o consumador dela (Hb. 12:2). Pelos sublimes conselhos de Deus, O Espírito Santo nos guia em toda a verdade (Jo. 14:26;15:26) e intercede por nós ajudando-nos com as nossas fraquezas (Rm. 8:26). Por Deus saber das nossas lutas Ele sabiamente nos deu As Escrituras puras e perfeitas para que tenhamos avisos solenes, mandamento sérios, promessas gloriosas e exemplos dos santos para nos animar a perseverarmos até o fim (Pv. 30:6). Pelos insondáveis conselhos de Deus o Cristão tem toda a armadura de Deus com a qual pode resistir a Satanás e ter a vitória completa (Sl. 34:19; Ef. 6:12-20). Pelo Seu insondável conselho, Deus tem limitado as tentações que vem na vida Cristã para que elas não sejam mais do que pode suportar (I Co. 10:13). Pela Sua infinita ciência, Deus nos deu a igreja e os seus devidos ministrantes para nos aperfeiçoar até crescermos em tudo como Cristo (Ef. 4:11-16). Pelos juízos impenetráveis Deus nos deu a oração eficaz pela qual chegamos a Deus e achamos a Sua graça em tempo oportuno (Hb. 4:14-16; Tg. 5:16). Pelos caminhos sábios de Deus que são além de medida, os pobres de espírito têm o reino dos céus, os que choram são consolados, os mansos herdam a terra, os que têm fome e sede de justiça são fartos, os misericordiosos alcançam a misericórdia, os limpos de coração vêem a Deus, os pacificadores são chamados filhos de Deus e os perseguidos por causa da justiça têm um grande galardão nos céus (Mt. 5:3-12). Portanto concluímos que os Seus não são somente preservados mas capacitados a perseverarem até o fim. Pela sabedoria de Deus, tudo coopera para o bem (Rm. 8:28,29).

Sabendo destas verdades não devemos andar ignorantes ou esquecidos. De outra maneira seríamos repreendidos por Cristo como foram os discípulos quando não tinham o pão suficiente e eles duvidaram da providência de Deus (Mc. 8:17-21).

A Imutabilidade de Deus

A imutabilidade de Deus é uma doutrina bem estabelecida pelas Escrituras (Sl. 102:25-27; Hb. 13:8; Tg. 1:17). A imutabilidade de Deus é ligada aos Seus outros atributos. A sua perfeição e eternidade fazem com que a Sua imutabilidade seja tanto uma necessidade quanto uma realidade. Se Deus é perfeito, ele não pode mudar para melhor. Se Deus é eternamente perfeito, é certo que não pode mudar para o pior. Assim entendemos a Sua imutabilidade. Quaisquer doutrinas que ofendem esses atributos de Deus devem ser mal vistas e tratadas como falsas. Não somente o ser de Deus não muda como também não muda o Seu decreto (Sl. 148:6; Mc. 13:31, “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.”).

Aplicando essa perfeição de Deus à salvação faz a doutrina da soteriologia ter valor e conforto. Deus não só planejou salvar o pecador arrependido mas também é firme e constante neste propósito. Sabemos que Deus faz o que Ele quer (Sl. 115:3; 135:6). Este plano é reforçado pelo fato que nem o desejo nem o poder de Deus podem mudar. Deus sempre terá o Seu amor para com os Seus e o Seu poder será sempre exercitado para o eterno bem deles. O homem muda os seus valores, o seu amor enfraquece, e a sua fidelidade é falha. Todavia, Deus não muda. Por causa da Sua imutabilidade, Deus não muda o Seu amor e plano pelos Seus, mesmo que os objetos (os salvos) do Seu amor falham (Ml. 3:6). Por Deus não mudar, o desejo para que os Seus adquirissem a salvação, é cumprido (I Ts. 5:9; Fp. 1:6). Deus faz tudo o que Ele quer até em respeito a salvação do homem (Jó 23:13, “Mas, se Ele resolveu alguma coisa, quem então O desviará? O que a Sua alma quiser, isso fará”; Is. 14:24, “O SENHOR dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará.”). A nossa salvação é tão segura quanto a imutabilidade do desejo de Deus para com os Seus.

É horroroso pensar como seria se Deus não fosse imutável. Se o cristão não fosse estimulado para perseverar no caminho da retidão pelos meios que já estudamos, e, se o cristão não fosse preservado pela eterna virtude de Deus, aquele a quem Deus eternamente amou, por quem foi ao céu preparar um lugar no céu, por quem enviou Seu Filho unigênito para o substituir na cruz, para quem trouxe o Filho de volta dos mortos e O exaltou nas alturas e por qual eternamente intercede, este eleito, em vez de ser preservado, cairia e tornaria a ser o objeto do ódio de Deus e seria separado dEle no inferno para todo o sempre. Mas, felizmente, os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento (Rm. 11:29). Verdadeiramente, o que a Sua vontade quer, a Sua imutabilidade pedirá. A nossa perseverança na fé e a preservação dos Seus nela são asseguradas pela Sua imutabilidade.

Às vezes, parece que Deus muda o Seu tratamento e é infiel às Suas promessas. Todavia, pesquisando o assunto mais de perto, entendemos que é o homem infiel e não Deus. Deus sempre abençoa a retidão e pune a desobediência. Se o homem obediente torna-se desobediente, Deus é fiel em tratá-lo conforme as suas obras. Todavia, para com o cristão, esse tratamento condicional é aplicado somente no aspecto dos seus galardões e nunca no aspecto da sua salvação eterna. Mesmo que, por desobediência grosseira, o corpo seja entregue a satanás, a alma do Cristão será preservada pela obra de Cristo (I Co. 5:5; II Tm. 2:13, “Se formos infiéis, Ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.”). A salvação, passada, presente ou futura, nunca baseia-se na obra do homem, mas na pessoa fiel e imutável de Cristo. Os que conhecem Deus por Cristo podem testemunhar como Josué que tudo que foi prometido, veio a ser cumprido (Js. 23:14). Por Deus ser imutável tudo prometido é “sim e amem” por Cristo (II Co. 1:20). Quem na Bíblia poderia testemunhar que Deus mudou os Seus princípios ou vontade?

Por Deus ser imutável, também as nossas responsabilidades de perseverar na fé não mudam. Ele deseja que sempre sejamos obedientes, puros, amáveis e fielmente crescidos na graça e conhecimento de Cristo (I Pe. 2:2; II Pe. 3:18). Temos uma eterna obrigação em perseverar naquela fé que uma vez foi dada aos santos (Jd. 1:3). Por Deus ser imutável, Ele é fiel em nos preservar. Sempre temos a graça disponível para nos ajudar em tempo oportuno e é constante a presença da Sua mão para nos guardar de tropeçar (Hb. 4:15,16; Jd. 1:24,25; Jo. 10:27-29; I Ts. 5:25). Pela imutabilidade de Deus, a nossa perseverança é sempre pedida e a nossa preservação é sempre assegurada.

A salvação que você diz que possui tem essa qualidade de te incentivar a crescer na santidade junto com o conforto de ser guardado eternamente por seu Salvador? Se não tiver, venha arrependendo dos seus pecados e creia em Cristo pela fé. Deus não mudou. Ele ainda quer que todos os oprimidos pelo pecado venham a Ele por Cristo. E os que vêm a Ele por Cristo de maneira nenhuma serão lançados fora por Ele (Jo. 6:38). Se já tem essa salvação, louve a Deus pelo Seu amor eterno que te faz participante de um reino eterno e procura a Sua graça eterna que te capacita à santidade crescente. E que Deus seja exaltado por Cristo em tudo disso.

As Promessas de Deus

As promessas de Deus reveladas pela Sua Palavra são as promessas que o Pai fez com Cristo Jesus na eternidade para com aqueles que Ele amou eternamente (Hb. 10:7). Essas promessas foram nos dada a conhecer pela Palavra de Deus para que o cristão saiba das suas responsabilidades para com a sua perseverança. Também elas são o meio que sabemos que a preservação divina não falhará. Essas promessas são tidas como “grandíssimas e preciosas” pelos quais somos feitos participantes da natureza divina (II Pe. 1:4).

As promessas de Deus para com o Cristão estão asseguradas por Cristo. Todas as promessas de Deus são “nEle sim, e por Ele o Amém, para a glória de Deus por nós” (II Co. 1:20). As promessas de Deus de preservar os Seus para sempre (Sl. 37:28), de estar com eles mesmo pelo vale da sombra da morte (Sl. 23:4), de estar ao redor destes para a sua proteção (Sl. 125:1,2), guiando e sustentando com a Sua mão direita até o dia de os receberem em glória (Sl. 73:23,24) são asseguradas “sim, sim” pelo grande Amem, Cristo Jesus. Não é a lei (Gl. 3:18) nem as obras de homem nascido de mulher (Ef. 2:8,9) que confirma isso, mas o próprio Cristo. Cristo é a Nossa Paz (Ef. 2:14; Sl. 85:10). Tendo paz com Deus por Cristo não há mais condenação (Rm. 8:1), e, sem a condenação, não há nada que impedirá as promessas de Deus serem cumpridas para aquele lavado no sangue de Cristo. As promessas de Deus asseguram a preservação dos Seus e estimulam a perseverança na fé pelos Seus.

As promessas de Deus para com o cristão são asseguradas pela verdade e firmeza de Deus. A verdade e a firmeza andam juntos nas Escrituras (Is. 25:1). Por Deus prometer algo, a verdade dEle garante a confiança que a promessa será cumprida. Não temos a promessa de que seremos confirmados até o fim em Cristo sem logo termos a afirmação que Deus é fiel (I Co. 1:8,9). Pela fidelidade de Deus, é firme a nossa confiança que não virá a nós nenhuma tentação forte demais sem um escape pelo qual possamos suportar a tentação (I Co. 10:13). Temos a promessa que os justificados serão glorificados (Rm. 8:29,30), e a firmeza dessa promessa é a própria fidelidade de Deus (I Ts. 5:23,24; II Ts. 3:3). As promessas de Deus nos asseguram tanto a Sua preservação quanto estimulam a nossa perseverança para com Ele (Hb. 10:23, “Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu.”; Rm. 4:20,21).

As promessas de Deus para com o Cristão são tão eternas quanto o Deus que as deu. As promessas de Deus fazem com que os Seus O conhecem de todo o seu coração (Jr. 24:7), de Deus carregar o Seus até a velhice e até as cãs (Is. 46:4), de os livrar de toda a má obra e os guardar para o Seu reino celestial (II Tm. 4:18) são garantidas pois Deus é o mesmo para todo o sempre (Is. 46:4: 54:10). As promessas de Deus asseguram tanto a Sua preservação dos Seus quanto estimulam a perseverança deles para com Ele.

Sabendo que as promessas de Deus são confirmadas e afirmadas unicamente por Cristo, somos seriamente incentivados a ter a certeza que a nossa vocação e eleição estejam nEle. Somente dessa maneira temos a certeza que jamais tropeçaremos (II Pe. 1:10).

Sabendo que as promessas de Deus são tão firmes quanto a Sua verdade, somos consolados enquanto trabalhamos firmemente em vista da bem-aventurada esperança (Tt. 1:2; 2:13).

Sabendo que as promessas de Deus são tão eternas quanto a Sua existência somos animados a sermos sempre abundantes na obra do Senhor, porque, pelo que saibamos, a nossa obra de obediência à Palavra de Deus não é vã (I Co. 15:58).

Também existem promessas para com aqueles que não conhecem a Deus unicamente por Cristo. Os que não estão em Cristo somente conhecerão a ira de Deus sobre eles eternamente (Jo. 3:35-36). Isso é uma promessa tão fiel e sombria quantas as outras. Portanto, se está fora de Cristo, corra já a Cristo arrependendo-se dos seus pecados e confiando de todo seu coração em Cristo Jesus!

A Base Da Preservação Do Cristão

Temos estudado que a salvação efetuada por meios visíveis e invisíveis tem um efeito prático: a perseverança e a preservação dos Santos. Essa perseverança não é somente exigida pelas Escrituras e a própria natureza nova, quanto é assegurada por Deus. A perseverança é a responsabilidade dos salvos e a obra da preservação é divina. Nessas obras de preservação, Deus usa como meios a obra do Espírito Santo, a Palavra de Deus, a oração eficaz de Cristo, a correção do Senhor para todos os Seus, o Seu poder em amor tanto quanto a Sua sabedoria, Sua imutabilidade e as Suas promessas.

A base da obra preservadora eficaz de Deus para com os Seus, não é provocada de algo originalmente no homem. A obra expiatória de Cristo, a promessa da Nova aliança e o propósito eterno de Deus são a base pela qual Deus opera para assegurar os Seus eternamente. Queremos examinar essas três áreas desta base individualmente.

A obra expiatória de Cristo – II Co. 5:18-21

Deus, pela obra vicária de Cristo, restaura para com Ele todos os Seus. A condenação do pecado de todos os que vêm a confiar em Cristo, foi posta em Cristo e paga pela Sua obra na cruz, a Sua ressurreição e a Sua exaltação. A justiça pura de Cristo então foi imputada aos que confiam nEle e assim estes são reconciliados com Deus para todo o sempre. Essa obra de Cristo é chamada “expiatória”.

A palavra expiação significa no hebraico cobrir (especialmente com betume, como na arca de Noé); cancelar, purificar (Lv. 1:4 e outras, #3722, Strong’s). Essa mesma palavra, no grego, significa trocar, ajustar ou restaurar ao favor divino (Rm. 5:11; 11:15; II Co. 5:18,19, #2643, Strong’s).

Romanos 8:31-39 mostra enfaticamente que qualquer condenação contra os que foram dantes conhecidos (v. 29), foi apagada pela obra completa de Cristo como Salvador perfeito. A inimizade contra a santidade de Deus que separou o pecador do Santo, foi desfeita pela morte de Cristo (Rm. 8:34, “pois é Cristo quem morreu”; Ef. 2:15, “na sua carne desfez a inimizade”; I Pe. 3:18, “Cristo padeceu, mortificado, na verdade, na carne”). Pela ressurreição de Cristo, os chamados são “vivificados juntamente com Cristo” (Ef. 2:5,6) para que pela “lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus” os livra da lei do pecado e da morte (Rm. 8:1,2) para serem eternamente justificados e salvos (Rm. 4:24; 5:10; Jo. 11:25). Pela exaltação de Cristo, com Cristo agora assentado à destra de Deus (Rm. 8:34; Ef. 2:9), toda a obra feita por Ele para como os Seus é garantida eternamente. Pela Sua obra ser terminada com êxito, a lei de mandamentos contra os eleitos é desfeita (Ef. 2:15), os pecados deles são depositados longe da onisciência de Deus (Hb. 8:12; 10:17) e colocados num lugar longe da onipresença dEle (Is. 38:17) para que a justiça e a verdade se beijam eternamente (Sl. 85:10; Ef. 1:20-23). Pela vitoriosa obra expiatória de Cristo, os eleitos são feitos filhos, nunca para se tornarem órfãos (Gl. 4:6; I Jo. 3:2), herdeiros, nunca para serem deserdados (Rm. 8:17) e feitos reis e sacerdotes, nunca para serem destituídos (Ap. 1:6).

Deus o Pai, verá o fruto do trabalho da alma de Cristo em ser o Substituto para os pecadores em particular, e, baseado neste trabalho, “ficará satisfeito” (Is. 53:11). É verdade que a satisfação efetiva do Pai não é para com o pecador até que este esteja em Cristo. Alguns dizem que a satisfação do Pai é feita através do pecador fazendo a escolha de crer em Cristo. Todavia, a ação de crer em Cristo não vem originalmente da natureza do pecador, mesmo que seja sua inteira responsabilidade. O crer é dependente da implantação de uma nova natureza. A regeneração é feita por Deus através de meios particulares que já estudamos. A regeneração é feita dentro aqueles por quem o Filho foi ferido e moído e por quem as Suas pisaduras sarou (Is. 53:4,5). A base da satisfação do Pai e a Sua justificação de muitos, é baseado na obra de Cristo em levar sobre Si as iniqüidades destes (Is. 53:11). Portanto, a satisfação plena do Pai não é baseada em alguma ação agradável pelo pecador mas completamente pela obra do Filho no lugar do pecador eleito. E, se o Pai é satisfeito com Cristo, a preservação daquele em Cristo é assegurada. Cristo, pela sua obra expiatória, opera plena redenção, e sendo assim, merece toda a glória (I Co. 1:30,31).

É da responsabilidade de todo pecador arrepender-se e confiar inteiramente na obra expiatória de Cristo para conhecer essa restauração plena e eterna com Deus (At. 17:30). Se você está oprimido pelo seu pecado, o próprio Deus, e os que conhecem essa obra, avisam e rogam que você venha a se reconciliar com Deus por Cristo. Por Ele você terá tudo o necessário para vencer o pecado, servir o seu Salvador e ser preservado para todo o sempre. Deus se satisfaz completamente com a obra de Cristo. Você se satisfaz com ela?

A promessa da Nova aliança –

Deus tem um eterno desejo: ser o Deus do seu povo e ter o Seu povo servindo e amando a Ele como seu Deus. Pelo menos vinte vezes pela Bíblia este desejo é manifestado (Gn. 17:8; Êx. 6:7; 29:45; Lv. 26:12; Jr. 7:23; 11:4; 24:7; 30:22; 31:33; 32:38; Ez. 11:20; 34:24; 36:28; 37:23,27; Zc 8:8; II Co. 6:16; Hb. 8:10; Ap. 21:3,7). Se este é o desejo de Deus, o poder de Deus o efetuará (Jó 23:13, “Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem então o desviará? O que a sua alma quiser, isso fará.”; Sl. 135:6). Pode ser confortante para Seu povo que eles são assim pelo eterno desejo de Deus (Jr. 31:3).

Para que este desejo seja conhecido e efetuado, Deus fez alianças com o homem. Uma aliança é um contrato sério como uma confederação ou pacto (Hebraica #1285, Strong’s). O homem faz alianças com o homem (Gn. 21:27; I Sm. 18:3; II Sm. 5:3; I Reis 5:12; 20:34; II Cr. 23:16; Neemias 10:29; Jr. 34:8), e com Deus (Êx. 24:7: Js. 24:24; II Reis 11:17; 23:3; II Cr. 15:12) e Deus faz pactos e acordos com o homem (Gn. 17:2; Êx. 6:4; Nm. 25:12; Juízes 2:1; II Sm. 7:12; Sl. 89:28; Is. 59:21). Essas alianças de Deus para como o homem foram dadas em épocas distintas e podemos chamá-los pela suas épocas e em que foram dadas (a aliança de Éden, Gn. 3:15; de Noé, Gn. 9:9; de Abraão, Gn. 15:18; do Sinai, Êx. 19:5; aos Levitas, Nm. 25:12,13; de Davi, II Sm. 23:5; a nova pela graça, Jr. 31:33,34; Hb. 8:6-13).

Todas as alianças têm pontos em comum. Existem o testador, os herdeiros, aquilo que efetua o pacto, as condições ou qualificações, e o benefício do pacto. Geralmente o testador é um e nas alianças mais importantes entre Deus e o povo dEle exige a morte do testador, literal ou simbolicamente. Nas alianças divinas existe uma promessa séria, uma herança eterna e uma confirmação dada por um sinal (Exemplo: o arco de Deus, Gn. 9:12,13). O homem tem responsabilidades na maior parte dessas alianças. Essas responsabilidades são vistas pelas condições imutáveis. Essas condições são a fé e a obediência. A aliança, para estar em pé, precisa da fé (Gn. 15:6; Dt. 6:5; Hb. 11:6) e da obediência. Essa obediência tem que ser moral, do coração, (Gn. 17:1; Mt. 7:24) e cerimonial (Gn. 17:10-14). Entenderemos melhor essas condições pelo decorrer deste estudo.

Se as condições do homem não são preenchidas, por falha de um dos lados, a aliança é anulada, ab-rogada, desfeita, prestes a perecer. Para Deus ser o Deus do Seu povo e para o Seu povo ter Deus como seu Deus, Deus fez essas alianças com o homem, alianças bilaterais e condicionais que dizem: se obedecer, viverá; se desobedecer, morrerá (Gn. 2:17; Lv. 26:3-13, 14-39; Ez. 18:20, “a alma que pecar essa morrerá”).

Pelas condições dadas por Deus ao homem pelas alianças, entendemos muito sobre a responsabilidade do homem. O homem é responsável por que Deus o mandou fazer algo. Se o homem não preenche a sua parte, ele é castigado severamente até que venha a se arrepender ou até mesmo a morte. O homem é culpado porque ele é responsável por não fazer o seu dever. Mesmo que o homem seja responsável, a responsabilidade do homem não quer dizer que ele é capaz de preencher o que ele deve fazer. Quem pode guardar toda a Lei de Moisés? Mas todos são responsabilizados a guardá-la totalmente. Os que tropeçam em um ponto somente, são culpados dela toda (Tg. 2:10). Pelo pecado habitar na carne, o homem é fraco e incapaz de fazer o bem que deve (Jr. 17:9; Rm. 3:10-23; 7:18-21). Por isso entendemos que as alianças bilaterais, e condicionadas à obediência do homem são fracas pela incapacidade do homem, e, tais alianças, serão mais cedo ou mais tarde anuladas. Todavia o desejo de Deus continua sendo o mesmo.

Deus, que criou o homem, que responsabilizou o homem, que fez um pacto com o homem, sabe o que está no homem. Para a glória de Deus e para atingir o Seu desejo eterno, Deus fez uma aliança nova e definitiva: a da graça.

Nessa aliança da graça Deus faz toda a obra, e por isso ela é eterna. Por ela ser eterna essa aliança da graça é a eterna base da preservação de todos que estão nela. Nessa aliança da graça Deus é o Testador pelo Filho que dá a Sua própria vida (Hb. 9:14,15). Os herdeiros dessa aliança são os chamados pelo Seu poder (Rm. 8:28-30; Hb. 9:15). Esse pacto é efetuado pela morte vitoriosa do Testador (Rm. 5:8; Ef. 2:14-16; Hb. 9:16). A qualificação ou condição de lealdade é preenchida perfeitamente por Cristo (Jo. 17:4; Hb. 9:28; Fp. 2:8-11) com qual lealdade o benefício do pacto é garantida seguramente: a salvação eterna de todo aquele que crê em Cristo (Hb. 9:15,28).

Essa nova aliança é caracterizada pela graça soberana de Deus, algo que não inclui nenhuma obra do homem (Ef. 2:8,9). Foi o próprio Deus que propôs pôr nos corações a Sua lei e a escrever no seu interior sem a intermediação ou qualificação da obra do homem (Jr. 31:33). A morte do Testador foi preenchida satisfatoriamente por Cristo (Hb. 9:18-26; Is. 53:11, “ficará satisfeito”) fazendo que a promessa desta aliança seja cumprida. Por isso é garantido que os salvos serão o povo dEle e Ele será o seu Deus (Jó 23:13; Ap. 21:3,7). Essa aliança é eterna pois é Cristo Quem os preserva (Lv. 2:13, “o Sl. da aliança”; Jd. 1:24), e o sinal da confirmação é o sinal da sua ressurreição (Rm. 1:4; At. 17:31; Ef. 1:19,20).

A qualificação de quem entra nessa aliança continua sendo a fé e obediência mas com uma diferença importante: A fé necessária na parte do homem não é a obra do homem em quem não habita bem algum, mas daquela fé que é fruto do Espírito Santo (Gl. 5:22) operado eficazmente nos escolhidos. A obediência moral necessária para qualificar os receptores desta aliança da graça vem de um coração novo dado por Deus (Jr. 31:31-34; Fp. 2:13). A obediência cerimonial desejada por Deus é celebrada pela manifestação do novo homem na vida diária e pela participação na Sua organização eclesiástica, a igreja, e declarada publicamente pelas ordenanças: o batismo e a Ceia do Senhor. Cristo vivendo nos Cristãos faz o necessário para que a aliança seja completa e perfeita.

Essa nova aliança da graça é firme por ser feita por Deus do começo até ao fim. Ele põe a Sua lei no coração dos Seus e isto faz com que Ele seja o seu Deus e opera para que eles queiram ser o Seu povo (Jr. 31:33). Mesmo que a promessa fosse dada especificamente à casa de Israel, os gentios foram enxertados nela pela eleição da graça (Rm. 11:11-19) para que agora todo e qualquer que crê em Cristo será salvo (Rm. 1:16; 10:9-13). Por Deus prometer, sabemos que esse acordo é para sempre (Tt. 1:2; Hb. 6:18, “Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refugio em reter a esperança proposta;” Todo aspecto desta aliança da graça estabeleça o fato da eterna preservação dos santos.

Talvez queira saber se você está incluído nessa aliança nova que preserva os Seus até o fim pela obra de Cristo. Essa aliança é para todos em Cristo. Você está em Cristo? Essa aliança é qualificada pela fé. Você crê de todo o coração? Essa aliança nova da graça efetua um novo coração com as leis de Deus escritas nele para que tenha novos pensamentos para amar e servir Deus mais e mais como Deus. A sua vida tem essas evidências? Tendo as evidências, pode saber que você está incluído nessa aliança da graça. Estando nessa aliança você pode ser consolado. É baseada na promessa do Deus que não pode mentir e assegurada pela obra satisfatória da alma de Cristo, o Filho de Deus. Se quer Deus como seu Deus e se quiser ser o povo dEle, venha a crer em Cristo de todo o coração.

Todas as alianças anteriores com os homens foram fracas na medida que dependiam do homem. A aliança da graça é forte e eterna pois Deus depende no que O satisfaz, o trabalho da alma de Cristo (Is. 53:11). Ele “lembrar-se-á sempre da Sua aliança” (Sl. 111:5).

A nossa preservação de sempre ser o povo de Deus tem como base a promessa da aliança nova e graciosa feita por Deus, efetuada por Cristo e aplicada pelo Espírito Santo. Portanto ela é firme e eterna. A aliança não está baseada em nenhum dos nossos esforços mas somente na graça soberana de Deus. Pela escolha dEle, pela obra completa de Cristo ministrada pelo Espírito Santo pela Palavra de Deus essa aliança é efetuada. Que a verdade da sua preservação ser baseada na promessa da aliança nova, que é pela graça, incentive a sua perseverança para com o seu Salvador e Deus até Ele vir!

O propósito eterno de Deus –

Eclesiastes 3:14, “Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.”

Por Deus ser divino, Ele é completo em todas as Suas partes. Se falhasse em apenas um único ponto, Ele tornaria menor do que ao outro ser naquela área. O outro ser, sem falha nesta área, tornaria maior que Deus neste único ponto. Mas, Deus é completo em toda e qualquer parte. Ninguém pode convencer o Filho dEle de pecar, ou falha em motivo ou ação. Se o Filho é assim, também o Pai (Jo. 8:46; 10,:30). Deus é perfeito em todas as Suas obras (Dt. 32:4; II Sm. 22:31; Sl. 18:30, “o caminho de deus é perfeito”; Mt. 5:48).

Podemos conhecer a Deus pelos Seus atributos revelados pelas Escrituras Sagradas. O propósito de Deus é assegurado pelo Seu ser (Is. 46:9-11) e confirmado pelos seus atributos. Vamos examinar alguns destes atributos. A qualidade da soberania de Deus é motivo pelo qual todas as providências nos exércitos do céu e da terra operam segundo a Sua vontade (Dn. 4:34-37, “E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a Sua vontade Ele opera com o exercito do céu e os moradores da terra”; At. 4:26-28, “Para fazerem tudo o que a Tua mão e o Teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer”; 13:48, “e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.”). O poder de Deus garante que seu decreto será cumprido (Dn. 4:35, “Não há quem possa estorvar a Sua mão, e lhe diga: Que fazes?”; I Pe. 1:5, “estais guardados na virtude de Deus para a salvação”). A verdade de Deus garante que seu decreto seja preenchido perfeitamente (Nm. 23:19, “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria Ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?”). A imutabilidade de Deus garante que a Sua vontade não muda para conosco (Mal 3:6, “Porque Eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.”; Rm. 11:29, “Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento.”). A eternidade de Deus garante que o que Ele diz será verdadeiramente realizado em tempo (Sl. 33:11, “O conselho do SENHOR permanece para sempre; os intentos do Seu coração de geração em geração.”; Mt. 5:18, “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.”; I Pe. 1:23, “a Palavra de Deus permanece para todo o sempre”). A perfeição e a sabedoria de Deus fazem com que o Seu desejo seja perfeito e sábio, e assim sendo, é sem nenhum ponto fraco nem nada que possa frustrar os seus planos eternos (Sl. 19:A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma .. os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente.”; Rm. 11:33-36, “Ó profundidade das riquezas da sabedoria, como da ciência de Deus!”). Examinando os atributos divinos entendemos que o seu decreto é influenciado pelo Seu ser e pelas Suas qualidades divinas. Portanto, Deus decretando a nossa preservação, podemos estar tranqüilos a respeito do seu inteiro e perfeito cumprimento. Ao mesmo tempo que frisamos o eterno propósito de Deus que nos preserva não esquecemo-nos dos meios que Ele usa para nossa participação nela (a nossa perseverança na obediência à Palavra de Deus, a santificação, etc.)

É confortante considerar que o decreto de Deus não emana de uma pressão de fora dEle como se fosse uma necessidade nem por Ele reagir a uma situação desesperadora. O decreto de Deus vem da sua própria vontade livre e soberana (Ef. 1:5. “segundo o beneplácito da Sua vontade”; 1:9, “segundo o beneplácito do que propusera em Si mesmo”; 1:11, “faz todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade”). Entendemos que essa vontade não é movida por capricho nenhum, mas pelo amor (Dt. 7:7-9, “mas porque o SENHOR vos amava”; Jr. 31:3, “Há muito que o SENHOR me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí.”; Ef. 2:4, “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo Seu muito amor com que nos amou (..) nos vivificou juntamente com Cristo”; I Jo. 4:19, “Nós O amamos a Ele porque Ele nos amou primeiro.”). Portanto, como é imensurável o amor de Deus, na mesma medida é confirmada a nossa preservação (Rm. 8:35-39, nada “nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.”).

O próprio decreto divino é que os Seus sejam aceitos no Amado (Ef. 1:6); novas criaturas espirituais (II Co. 5:17); ser Seus próprios filhos, e assim sendo, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Rm. 8:17; I Jo. 3:2). É vontade explicitada pelo decreto que todos que fossem chamados particularmente pelo seu Espírito Santo através Evangelho, sejam justificados por Cristo e glorificados na Sua imagem (Rm. 8:29,30). Este decreto determina que Deus seja plenamente satisfeito pela obra de Cristo pelos Seus (Is. 53:11). Pelo decreto ser tão exato, é prometido que os que vêm a Ele por Cristo, de nenhuma maneira serão lançados fora (Jo. 6:37). Os em Cristo têm a segurança que tudo que vem a acontecer nas suas vidas contribuirá para seu bem. Se todas as coisas operam para o seu bem, é claro que nada operará para a sua condenação (Rm. 8:28). Portanto, tendo o Seu decreto determinado na eternidade e revelado em tempo, podem descansar no amor e poder de Deus todos que estão em Cristo. Esse descanso é pelo decreto não basear-se no homem, mas da Sua aliança da graça, é assegurado o seu cumprimento exatamente como foi decretado.

Todas as promessas divinas reveladas pelas Escrituras Sagradas, tanto para os justos quanto aos injustos, detalham os vários aspectos do Seu eterno decreto. O propósito de Deus é assegurado pelo Seu ser (Is. 46:9-11, “O Meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.”) e revelado pelas Suas promessas. Por exemplo: Deus deseja e, por isso, decretou a Sua permanência para com o Seu povo ajuntado corretamente na terra. Sabemos desse decreto e desejo pela Sua promessa referente a este ajuntamento. A Sua promessa reflete esse decreto (Mt. 28:20, “e eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”). Quando Deus promete algo é porque o fato já foi decretado na eternidade. Existem muitas providências externas que mudam na vida do Cristão, mas nenhuma mudança concernente aos pensamentos de Deus para com os Seus (Is. 46:9-11). É prometida a preservação dos santos. É promessa de Deus que os em Cristo tenham a vida eterna (Jo. 6:39,40, “E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade dAquele que Me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho, e crer nEle, tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.”). A promessa de Deus é que os Seus nunca perecem (Jo. 10:28,29, “E dou-lhes na vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão”). As promessas de Deus nos ensinam o intento do Seu decreto e é esse eterno decreto que faz parte da base da nossa preservação.

Estamos tão confiantes na preservação eterna de Deus de todos os Seus quanto somos firmes na Sua soberania e poder que garantem que aquilo que Ele deseja não será invalidado (Jó 23:13, “Mas, se Ele resolveu alguma coisa, quem então o desviará? O que a sua alma quiser, isso fará.”; Sl. 115:3; 135:6; Is. 14:24, “O SENHOR dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará.”). Se o decreto que é revelado pelas promessas é firme então o que foi prometido também o é.

Os em Cristo têm muito para se confortarem ao respeito do efeito prático da salvação. A aliança pela graça que os inclui é assegurada pela obra expiatória de Cristo, é tão firme quanto o propósito eterno de Deus. Mas saiba disso, somente os em Cristo podem ter essa certeza e descanso da alma. Todos que se arrepende e crêem em Cristo estão seguros, mas qualquer que esteja fora de Cristo é condenado a receber o justo juízo dos seus pecados. Isso também faz parte do decreto eterno (I João 5:12, “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.”). Se você é um pecador oprimido pelo seu pecado, venha a confiar em Cristo já! É promessa de Deus que todos que vierem a Cristo, terão salvação. Estes serão preservados para todo o sempre. A base dessa preservação é o propósito eterno de Deus revelado pela Palavra de Deus.

Resumindo, o Cristão é reconhecido ao mundo pela sua perseverança na fé. Porém a sua perseverança desejada é somente conseguida pela obra de Deus preservando-o. O Cristão deseja perseverar. O Cristão se esforça a se perseverar, mas a capacidade de cumprir esse desejo e responsabilidade vem do próprio Deus (Fp. 2:13; II Co. 3:4-6).

Autor: Pastor Calvin Gardner
Correção gramatical: Edson Elias Basílio, 04/2008

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